Anabela Castro, Beatriz Souza, Isabel Guimarães – Diálogos Astrológicos: Como a Astrologia ajuda a entender a pandemia?

Os diálogos astrológicos, permite alargar a visão de outros astrólogos à situação atual que vivemos. Pretendemos levar ao público em geral, uma opinião, uma análise, mais do que isso, uma ligação entre colegas que se permitem partilhar as suas visões astrológicas. Desta vez, neste Equinócio do outono, temos Isabel Guimarães que entra em diálogo com Anabela Castro e Beatriz Souza, sobre a situação pandémica.

A astrologia pode nos ajudar a entender a pandemia?

Anabela Castro: Claro que sim. Se pensarmos em termos kármicos, não estaremos nós humanidade, a resgatar algo das nossas raças mães? Não estaremos agora a ter consciência e a resgatar a realidade intermediária da nossa existência para retornarmos a Deus? Será que ainda não consciencializamos que esta pandemia é uma realidade voltada para a alma?…sim a astrologia pede que trabalhemos o aperfeiçoamento da alma.

Certamente estamos a resgatar karmas da antiga lemúria, onde o ser humano nesta etapa evolutiva aprende o sentido da visão, inicia a sua polaridade e a sua evolução, com a égide de Marte e Vénus, onde se cria o princípio do género e a criação do sexo, a crucificação do ser na matéria.

Beatriz Souza: Na minha opinião, mais do que determinar o que vai acontecer, a Astrologia pode auxiliar-nos a entender o porquê do acontecimento e chamar a nossa atenção para o que deve ser feito, se é necessário mudar comportamentos e quais atitudes a tomar, para não só resolver a questão atual, como também evitar que se repita.

Isabel Guimarães: Sim entendo a vossa visão, mas concretamente a astrologia estuda ciclos, os chamados ciclos planetários, como por exemplo o que vivemos desde março de 2020, com o ciclo de Plutão/Saturno/Júpiter/Marte. Quando foi a última vez que vivemos este ciclo? Há mais de 800 anos. Essa é a ideia, de podermos associar os ciclos às situações atuais. Estamos agora a viver mais um ciclo de Saturno em Aquário e Úrano em Touro e a finalizar a quadratura neste ano de 2021. Sabemos que Júpiter vai transitar ao fim de 12 anos em Peixes, ingressa definitivamente no final do ano, (e) está em domicílio e vai encontrar-se com Neptuno. O próprio Plutão que caminha nos últimos graus de Capricórnio, chegará a Aquário, onde esteve há mais de 240 anos e Neptuno caminha para Carneiro. Numa visão muito genérica podemos e devemos seguir a rota dos planetas na faixa zodiacal de forma a entender o que repetimos, para reaprender, e o que ciclicamente precisamos resgatar da sociedade. Neste novo ciclo podemos sentir que a Terra e suas estruturas podem ser um problema muito maior do que a pandemia. A Minha esperança é o ingresso de Júpiter em  Carneiro , formando conjunção a Quíron, que se repete em média de 50 em 50 anos, e a ultima vez foi em abril de 1975. Estes aspetos  podem trazer a esperança de cura, mas uma forte ferida às guerras que se expandem, aos egos que se inflamam e à dor quase imortal que nos persegue, como esta situação no Afeganistão, etc.

 

Afinal o ciclo de março de 2020 Saturno/Plutão/Júpiter/Marte em Capricórnio quando acaba?

Anabela Castro: Certamente só em março de 2023. No dia 7 de março de 2023, Plutão entrará no grau anarético de Capricórnio, está a começar a sua passagem para Aquário. Júpiter estará em Carneiro, Saturno está a entrar em Peixes.

Beatriz Souza: Marte iniciou o ciclo quando, em meados de fevereiro, entrou em Capricórnio e logo em seguida fez conjunção com o Nodo Sul. Foi nesse momento que o vírus começou a se espalhar com mais velocidade, como se Marte tivesse acionado uma bomba-relógio.

Em dezembro de 2020 Marte fez trígono com o Nodo Sul, enquanto Neptuno fez quadratura com os Nodos; surgiram as primeiras vacinas e mundo encheu-se de esperanças, relaxando um pouco nas suas precauções. Em janeiro de 2021, Marte já em Touro, juntou-se a Úrano na quadratura com Saturno e Júpiter, e, em Portugal, a variante Delta espalhou-se pelo país, de forma ainda mais agressiva do que a primeira. No início de agosto de 2021 Marte fez quadratura com os Nodos e, apesar de grande parte da população europeia, americana, e de outros países desenvolvidos, já terem pelo menos uma dose da vacina, os casos de contaminação cresceram abruptamente, devido à variante Delta, embora o número de mortos tenha diminuído.

No dia 15 de dezembro, Marte fará novamente conjunção com o Nodo Sul, fechando um ciclo de quase dois anos de aspetos entre os dois. Mas Saturno ainda estará em quadratura com Úrano, indicando que ainda haverá mudanças a serem feitas. A partir de meados de abril/2022, Saturno e Úrano já não estarão em quadratura, Júpiter ainda estará em Peixes e Marte chegará também a Peixes. Acredito que esse será o início da trégua.

Isabel Guimarães: Entendo, mas a trégua não será muito relaxante, pois Peixes é também a dor do coletivo, as prisões, hospitais, e Júpiter adora excessos; apesar de estar em domicílio, sendo o coregente de Peixes, poderá ajudar no aumento da fé, da esperança, da interajuda entre um coletivo em sofrimento e preso a leis já obsoletas, que teimam em olhar ao ego e menos ao coletivo. No entanto, apesar da vossa visão, o movimento de Marte desde 2020 ao despoletar a conjunção, o mesmo que dizer uma nova semente, com Plutão, Saturno, Júpiter, este mesmo planeta da guerra, vírus, iniciativa, liderança e ao mesmo tempo do renascimento, voltou em fevereiro a Capricórnio, abalando as estrituras e voltará de novo em 2022. Veremos que variantes teremos, que outros vírus poderão surgir, pois precisamos de um renascimento na Terra, recuperando a sua ancestralidade. Vejamos como em 2022, (a preparar) a alteração de planetas lentos a preparar (a) novos cenários, trarão (a) esperança à Terra, afinal dependemos dela. (e) Úrano em Touro torna-se também, um ponto de referência para observarmos seu ciclo ao longo do ano, até porque ele próprio representa o ar, a humanidade, tecnologia, e até mesmo a revolução em guerras biologias, não fosse este o planeta da necessidade de liberdade.

 

Podemos aprender com esta pandemia? Que ciclo planetário nos ajuda a entender?

Anabela Castro: Claro que podemos aprender. Saturno, o modulador kármico do Sol e da Lua será o grande mestre. Se a humanidade tiver vontade, pode resgatar todo o karma que trazemos da Atlântida. Devemos estruturar tudo com muita ordem, trabalhando o emocional confuso em potencialidades verdadeiras, podemos ter o resgate do nosso equilíbrio emocional com o mental…, bem como Júpiter, que pode indicar o caminho para a humanidade fazer o seu resgate espiritual.

Neste momento Saturno, o senhor do Karma, está em Aquário, no elemento Ar. Ele pertence a Capricórnio e Aquário e sendo um planeta de Terra e Ar, num signo de Ar, a humanidade tem oportunidade de gerar uma nova vida, usando a força de Úrano, uma liberdade revolucionária. A humanidade já aprendeu? Então precisamos dessa liberdade nos grupos, nas associações.

Júpiter está também em Aquário, no seu estado de retrogradação. Ele já esteve em Peixes, mas necessitou de ir novamente a Aquário. Ele é o planeta da fé, regido por Sagitário e Peixes, representa a Água e o Fogo, a transitar num signo de Ar…rever, reorganizar, reestruturar, e vemos que realmente ainda há coisas para limpar, basta olharmos para as notícias atuais.

Beatriz Souza: Os encontros de Júpiter e Saturno sempre tiveram um papel importante para mudanças de paradigma no mundo. A última conjunção aconteceu no final de dezembro de 2020, mas entraram, praticamente juntos, em Aquário, nos primeiros dias de 2021, encerrando o período de cerca de 200 anos de encontros nos signos de Terra. Por esse motivo este, para mim, seria o ciclo planetário que nos daria uma certa lição. O mundo desmoronou, mais do que em uma guerra, porque não foi pontual, foi o mundo inteiro que foi atingido, na saúde física, mental e financeira. Não foram selecionados soldados para ir à guerra, não houve prioridades; velhos, jovens, ricos ou pobres, independente da religião, foram atingidos. O recado que talvez ainda não tenha sido entendido, é que, se não cuidarmos das populações carentes, fornecendo vacinas para os países pobres, ainda estaremos presos ao conceito de que o meu umbigo vale mais. E enquanto a desigualdade for tão acentuada, não conseguiremos livrar-nos desse vírus e nem de outros que virão, principalmente o vírus da ignorância humana, que insiste em medir as pessoas pelo que elas tem e não pelo que são; seres humanos que deveriam ter no mínimo direitos básicos como alimentação, saúde, educação e habitação.

Isabel Guimarães: De fato é isso mesmo Beatriz. E claro, que Anabela, apesar de atribuirmos a Saturno o karma, na vida e na Astrologia tudo se liga a karma, pois esta palavrinha, quer dizer ação/reação, baseada numa lei de causa/efeito, então estamos sempre nesta lei, dai que tudo que fazemos recebemos e na maioria das vezes a dobrar. A humanidade, o coletivo é ainda mais intenso, e como a Beatriz refere, é uma ação global, sem escolha de raças, situação financeira, ou egos, e esta pandemia mostrou a nossa vulnerabilidade, e o quanto somos tóxicos para um planeta que nos fez e nos abriga a cada dia, basta observar a poluição, a flora, os animais que assim que recolhemos ao confinamento tudo se recuperou. Ou seja, para mim a grande lição é o humano ter a consciência do quanto destrói, contamina, e o quanto insignificante se torna a sua presença nesta única casa que temos, mas creio que nem assim aprendemos, que não temos a importância que achamos, e acredito que muitos de nós acordamos, ganhamos consciência do papel que temos, e que na realidade somos mesmo todos iguais, e que sem a interajuda uns dos outros não conseguimos viver neste planeta. Será que Úrano na sua última quadratura a Saturno fará acordar a humanidade de forma ainda mais drástica?

 

Teremos outras pandemias? Será que esta esta a acabar? Que planetas nos podem dar esta orientação?

Anabela Castro: Em março de 2020 a Lilith estava em Carneiro, Nodo Norte em Caranguejo e Nodo Sul em Capricórnio, (além do stellium Saturno/Plutão/Júpiter/Marte em Capricórnio).

Em março de 2022, Marte faz o seu retorno e no começo do mês junta-se a Plutão. Nesta altura Lilith estará em Gémeos ao lado do Nodo Norte, e o Nodo Sul está em Sagitário. A humanidade trabalhou o seu Marte e Vénus? Trabalhou a Lilith e os Nodos de 2020? Penso que não, então os valores, ideais, a fé não conseguida tem de ser trabalhada agora em Gémeos, com Mercúrio e o poder e trabalho duro e doloroso de Lilith. Talvez agora a humanidade perceba que Marte voltou e não está para brincadeiras…é bem provável que outros desafios venham. Quando Saturno fizer quadratura a Úrano, por meados de novembro, podemos ter acontecimentos inesperados.

Beatriz Souza: Pandemias existem há séculos, então não creio que nos iremos  livrar delas, pelo menos enquanto não respeitarmos a natureza, os animais e a nós próprios. Acredito que  iremos aprender a conviver com o vírus do Covid19, assim como já aprendemos a viver com tantos outros. E com o esperado avanço da ciência para os próximos tempos, teremos fármacos  preventivos e curativos que nos permitirão conviver com ele esta realidade. Quanto à configuração planetária que daria essa indicação e a mensagem que ela traz, já foi comentado, por mim, na resposta anterior.

Isabel Guimarães e Beatriz Sousa: Sim, concordamos e na pergunta anterior já referimos isso mesmo.

 

Qual a mensagem dentro da mensagem? Ou será que não estamos a entender no coletivo? Teremos indicações na astrologia para esta pergunta?

Anabela Castro: A era vigente é a raça -mãe ariana, e a obrigação da nossa etapa evolutiva é trabalharmos Mercúrio, o conhecimento, de uma forma correta, para que a ideia, que podemos chamar de princípio celeste, tenha realização ou realidade terrena. Mercúrio é o primeiro planeta do nosso sistema, ele está sempre próximo do início de tudo, ou no próprio signo solar ou no anterior ou no posterior. É ele quem faz o fecho para as futuras raças-mães de seres especiais- as nossas crianças. Se fizermos o nosso trabalho, se as educarmos com carater e cultura, se deixarmos tudo pronto, elas terão um mundo melhor…para isto, teremos que olhar para o coletivo, logo, para Úrano, Neptuno e Plutão. Plutão em Capricórnio tem mostrado que tudo começa e acaba e não se está a firmar uma energia real. Na realidade a humanidade está toda em guerra, seja ela emocional, química, biológica, física. Úrano em Touro, tem mostrado os imprevistos na valorização material e de relacionamentos que todos vivemos. Neptuno em Peixes mostra esta dor que toda a humanidade sofre e que nem entendemos muito bem porquê?… está tudo tão mal resolvido…

Isabel Guimarães: Concordo. E repara que este novo ano o regente planetário é Mercúrio, com o ciclo que começamos de novo com Saturno desde 2017, a trazer o resgate do verbo, a palavra, a negociação, a capacidade de saber se comprometer com os acordos, ousar fazer acontecer. Sabemos que o peso de governantes está muito debilitado, com falta de coragem de ousar cuidar do povo e menos do EGO. Creio que este novo ano será de grande importância e crucial para o futuro da humanidade o uso da palavra, a mensagem deve ser clara e ligada aos valores que nos rege. E teremos atenção ao seu oposto Júpiter, que estará em Peixes e vai transitar para Carneiro, o que nos vai desafiar nos nossos ideias, filosofias e a nossa fé.

 

Jornal Astrológico 4 Estação edição Outono-verno/21 – Aspas-Associação Portuguesa de Astrologia

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