Carla Melfe – Relacionamentos Como Crescimento Espiritual

Com a quadratura Júpiter em Sagitário- Neptuno em Peixes, a disciplina de Saturno, a acompanhar o nodo Sul em Capricórnio, e a entrada do inovador Urano, em Touro, este é sem dúvida um ano de descer à Terra, e perceber, e talvez, mudar os nossos padrões.

Porque escolhemos certas pessoas para viver um relacionamento?

Qual é a sua definição de amor?

A vida como processo em si implica evolução.

As razões sobre as nossas necessidades são várias, desde fisiológicas, socioculturais. Tantas relações mostram a toxidade da condição Humana: apegos, segurança, dar e esperar “amor” como transacção.

Ter companhia, casar, ter filhos, fugir da solidão são algumas razões conscientes que nos levam a procurar companheiros ao longo da vida, e com a presença de certos trânsitos, também a oportunidade de crescimento espiritual. Não fazer ao outro o que não queremos que nos façam a nós?! Certo? Errado. O auto-centramento leva ao afastamento do amor.

Amar é trazer o outro para dentro de nós.

Mas há tanto para limpar. Não deixa de ser um abuso, usar outra pessoa para garantir nosso próprio senso de segurança e para satisfazer as necessidades percebidas, quando temos todas as ferramentas disponíveis para suavizar, aceitar e transcender essas necessidades com a prática, e viver uma vida livre.

Para mim, os relacionamentos não são realmente entre pessoas, são mais que tudo, uma plataforma para o crescimento espiritual acelerado.

Vamos entrar agora em algum pormenor, observando o mapa composto seguinte:

O mapa composto funciona como 1+1=3: é o mapa da relação em si.

Neste caso temos um stellium em Virgem, o Sol como ponto médio de Vénus e Mercúrio, na casa 12. O regente do mapa é Mercúrio, colocado no ascendente, sendo que a comunicação é um ponto fulcral neste relacionamento. É uma comunicação profunda, telepática, e muito por olhares. Acrescento que uma das pessoas tem elevada energia em caranguejo e outra tem energia dominante de escorpião. A casa 12 também contem o Nodo Sul, sendo que estas pessoas noutra vida já viveram experiências juntas de isolamento (Sol na 12) e têm essa sensação instintiva mediúnica (Lua em carneiro, na 8). O regente o Nodo Norte em aquário, é Urano que está na casa 3, em semi-sextil a Plutão e semi-sextil a Neptuno, voltando a enfatizar a ligação fraterna de amantes-irmãos, sendo que esta relação tem a amizade como base mais fortalecida, que o amor. Plutão está casa 2, em Balança, reforçando a instinto que existe de se protegerem e tomarem conta um do outro.

É um relacionamento bastante secretivo, Plutão na casa 2 ou em Touro, possui energia fixa; há uma forte energia sexual que sustenta a relação, embora a proposta neste caso seja sair desse ciclo. Sexo como poder, controle, e domínio podem motivos subconscientes de um sobre o outro. Há um desejo de se isolarem; são um casal exclusivista e introvertido; não permitindo que a “sociedade” se intrometa entre os dois: assim criam-se entre ambos ciclos de confrontação, que apenas tem como finalidade que estes que se confrontem com as suas limitações, e se dê uma metamorfose. Isso levará a um autodescobrimento, e um trabalho criativo sobre si mesmos. Para um casal já no estado espiritual, existe o desejo de abraçar valores espirituais como forma de propósito, e de forma de vida, em geral; a internalização desta proposta por ambos produzirá uma grande sensação de paz, e que se interrelacionam mesmo no silêncio, que ambos precisam. Sexualmente é um casal que através do afastamento necessário cria novamente o desejo de se voltarem unir com rituais sagrados, como forma de acesso à divindade. O ponto de polaridade de Plutão está na casa 8 em carneiro, conjunto à Lua: o que é dependência neste relacionamento está a ser transmutado, e será activado por conflitos, mesmo que internos. Através da auto–análise encontrarão a resposta, e isso implicará possivelmente  a abertura da relação, através de Úrano, em escorpião, na casa 3.

O pensamento rápido e original, a clarividência, a clariaudiência e as capacidades telepáticas permitem-lhes perceber rapidamente as nuances complicadas das relações humanas. Isso possibilitará que esta relação seja vivida não por necessidade, por medo de perda, mas sim porque ambos se sentirão livres e como resultado estarão juntos simplesmente porque querem estar!

Assim:

Os relacionamentos são meios para aumentar a conscientização sobre o propósito e os catalisadores, por meio da revelação das sombras e, no melhor dos casos, causando alinhamento consistentemente maior a um estado de consciência superior, que simultaneamente gera uma consciência mais completa de todos os aspectos do eu.

Isso muitas vezes leva a trabalhar muito a paciência, e as relações orientadas para o crescimento passam por todos os tipos de diferentes fases, estágios imprevisíveis.

Não há nada mais bonito do que ver alguém alcançar um nível de verdade, além da capacidade geral de compreensão do mundo. Ver a pessoa alcançar uma profundidade revolucionária, de visão, consciência, catalisada pelo relacionamento. É sobre abandonar o nosso ego, e sentir esse potencial nas pessoas com quem escolhemos estar, incluindo o nosso próprio potencial.

Mais… é sobre gerar uma unidade, mais profunda, e menos sobre manter a certeza e a segurança.

Sinta o momento presente, e ame onde está actualmente.

Trata-se de ter a capacidade de confiar e soltar a necessidade de segurança percebida. Nunca esquecer que para sermos felizes, é preciso estarmos bem nas relações. Primeiro connosco mesmos. Ninguém é uma ilha isolada. Temos que ter a capacidade de sermos totalmente honestos connosco mesmos.

-Porque é que determinado tipo de pessoa nos atrai?

Sozinhos pouco evoluímos. Todos os relacionamentos são uma jornada. Nenhum dia é certo. A dinâmica pode mudar em qualquer segundo, nunca se sabe, e está tudo bem. Enquanto houver amor, paciência e diálogo, os resultados chegarão, mesmo que apenas visíveis ao olho treinado.

Se ousarmos descobrirmo-nos num nível mais profundo, então essa experiência atrairá as pessoas certas para que a vivência possa ser compartilhada e experimentada, num nível mais significativo. Podemos chamá-la de crescimento.

Sinto que é como lembrarmo-nos de nós mesmos. O Universo, Deus. Como a soma de todos os relacionamentos. Daí a necessidade de nós conectarmos com outras pessoas. A nossa identidade torna-se uma identidade compartilhada. O nosso Eu superior não é um só indivíduo. Queremos realmente o que queremos? Será que isso realmente nos completa?

Ou pensamos que sim? Trata-se da necessidade mais profunda da alma.

Não procuro respostas. Procuro experiências porque, quando vivemos a experiência, vivemos a resposta, numa evolução crescente.

Quando tiver que escolher, escolha o amor. Por um momento, experimente viver a possibilidade de encontrar o encantamento e a beleza da vida, na sacralização do encontro com quem cruza connosco, de forma tão intima.

Sempre que houver um sinal de alerta, sempre que a relação não estiver a dar certo, fique contente. Passada a animação inicial, a mente egocêntrica pede mais.

Ao perceber a desarmonia, é introduzido nova informação, e acelerado o processo.

Algo tem que mudar. E ao criar espaço nasce a Presença, uma oportunidade de atingir novo patamar de consciência.

Se aceitar que o relacionamento existe não para o fazer feliz mas para se tornar mais consciente, então ele vai-se tornar no seu Sadhana. A sua prática espiritual.

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