Luis Resina – Artigo Aspas: O Portugal Astrológico (I Parte)

Contexto histórico

Estamos no final do século XI após um período sombrio marcado pelos receios do fim do mundo do ano 1000, e num período em que os domínios da terra assentavam fundamentalmente em senhores feudais e mosteiros. A partir do século XII as cidades começam a crescer, e, nomeadamente, a partir das Cruzadas dá-se a expansão do comércio e o desenvolvimento do mercado das transações financeiras.

Esta passagem de um período mais centrado na agricultura para o comércio, corresponde à transição da fase 6 para a fase 7 da Era de Peixes. Se a Era de Peixes tem a duração de aproximadamente 2160 anos (30º x 72anos» equivalente a 1º processional resultante do terceiro movimento da Terra), quando dividimos este período em 12 subfases temos 180 anos para cada casa ou fase ao longo de todo o ciclo.

Em casa subfase de 180 anos dá-se uma conjunção de Úrano com Neptuno visto que o ciclo destes planetas anda à volta dos 175 anos. Queria também sublinhar que a influência dos planetas em termos do colectivo é tanto maior quanto mais estes estão afastados do Sol, embora os planetas transpessoais ainda não fossem conhecidos, isso não significa que eles não se reflectissem no inconsciente colectivo da humanidade da época.

 

 

Assim, o início da fase 7 dá-se por volta de 1080 até 1260 e corresponde simbolicamente à Balança na subfase da Era de Peixes. A passagem do elemento terra (Virgem) para Balança (Ar) marca o início de um período que acentua os contactos, as alianças, as disputas, a bipolarização e o intercâmbio entre ocidente e oriente. Há que também salientar que a fase 7 corresponde ao ponto médio de toda a Era de Peixes, o que acentua toda uma culminação do ciclo da Idade Média, apelidada por uns como “renascimento do século XII”.

Temos neste período o fenómeno das Cruzadas, sendo a 1ª convocada pelo Papa Urbano II no Concílio de Clermont em 1095, como resposta a um pedido de ajuda do Imperador bizantino Aleixo I, para conter o avanço turco na região. O Papa evocou a “guerra santa” prometendo indulgências a todos os que nela participassem.

Jerusalém foi conquistada pelos cruzados em 1099 e houve uma série de conquistas e perdas entre cristãos e muçulmanos que geraram ao todo 9 Cruzadas pelo Ocidente, até ao ano de 1272.

Na primeira Cruzada dá-se o cruzamento de culturas e saberes entre Ocidente e Oriente, sabemos também que as falanges esotéricas de cada religião comunicavam e partilhavam conhecimentos entre si, é desse encontro célebre de Constantinopla em 1096 que se dá a concepção daquela que viria a ser a Ordem do Templo.

1118/19 – Fundação da Ordem do Templo – 9 cavaleiros, Nove Fundadores:

  1. Hugo de Payens (ou Payns)
  2. Godofredo de Saint-Omer
  3. Godofredo de Bisol ( ou Roral ou Rossal, ou Roland ou Rossel);
  4. Payen de Montdidier ( ou Nirval de Montdidier);
  5. André de Montbard (tio de S. Bernardo);
  6. Arcimbaldo de Saint-Amand, ou Archambaud de Saint-Aignan;
  7. Hugo Rigaud
  8. Gondemaro, (ou Gondomar);
  9. Arnaldo ou Arnoldo; (o nono fundados Frei Arnaldo da Rocha, presume-se ser português)

“Tomaram o nome de Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo deSalomão(1118 ou 1119 data da sua fundação) porterem construído o seu castelo sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão em Jerusalém . De dimensão modesta em 1123 desde então chamada Ordem do Templo de Jerusalém com ideias espirituais de paz e de caridade em proveito dos mais fracos, e defendidos, se necessário, pelas armas. Pretendia-se um reconhecimento oficial jurídico e espiritual, sobretudo do papado.

O Papa Honório II, em 1128 (Séc. XII), concedeu à Ordem a legitimidade da sua fundação” (http://terrasdesantiago.planetaclix.pt/ordtempl.htm) após São Bernardo de Claraval ter redigido a Regra do Templo aprovada no Concilio de Troyes.

Os Cruzados e os Templários em Portugal

Segundo a Teoria das Idades Portugal nasceu como reino-nação no período de apogeu da Era de Peixes (na metade do ciclo de 2160 anos).

Antecedentes históricos: Portugal – Signo Solar Peixes, signo consignado por Ptolomeu à região da Lusitânia, LUX-CITÂNIA – Terra da Luz. Na Antiguidade a energia dos signos era atribuída por analogia ao carácter das raças e povos. Convém lembrar o que os Romanos diziam dos Lusitanos quando colonizaram a Península Ibérica: “este é um povo que nem se governa nem se deixa governar”.

Antes das cruzadas à Terra Santa tiveram início as cruzadas na Península Ibérica a partir da região que hoje se intitula a Catalunha, foi numa dessas incursões de cavaleiros que vieram do centro da Europa que se situa a vinda dos Condes de Borgonha, Dom Raimundo e Dom Henrique por volta de 1090 estes vieram ajudar Dom Afonso VI, rei de Leão e Castela na luta contra os Almorávidas. Após os feitos e a ajuda prestada por tão insignes cavaleiros, Afonso VI concede duas das suas filhas, Dona Urraca e Dona Tareja, doando o Reino da Galiza a D. Raimundo e o Condado Portugalense a D. Henrique no ano de 1095 (segundo algumas crónicas).

O Reino de Portugal ao surgir na segunda metade da Era de Peixes, nomeadamente no seu período de apogeu – o período das Cruzadas e dos intercâmbios das duas maiores religiões da época, o cristianismo e o islamismo, aparece também associado a outro fenómeno cultural – o aparecimento das Ordens de Cavalaria Monásticas. A maior destas ordens foi sem dúvida a dos Templários, que tiveram um papel fundamental na formação do reino e na conquista do território nacional. O fenómeno do Templarismo constitui por si um outro tema e uma outra obra que aqui não tem lugar, no entanto, gostaria de salientar que a vertente esotérica ou gnóstica do cristianismo, estava bem patente nos seus principais representantes pela simpatia que estes nutriam pela igreja oculta de Cristo representada na figura de São João.

O nosso Cristianismo primordial foi eivado das mais diversas correntes gnósticas e pagãs, porque na sua essência já tinha o cariz universal presente na energia sintética dos Peixes, ou melhor dito nas palavras de Álvaro de Campos: “ser tudo e todos, ser plural como o universo”. O cristianismo de Roma nunca foi muito apreciado pelos nossos primeiros reis (alguns deles até foram excomungados) já que era demasiado, dogmático, impositivo e demagógico, características herdadas de atavismos de certos povos, especialmente o romano, provenientes da Era anterior ao cristianismo – a do Carneiro.

“As nações todas são mistérios Cada uma é todo o mundo a sós”

Fernando Pessoa

Portucalis – porto do cálice, o lugar onde passou o Graal.

A missão de Peixes passa pela difusão da fé – o aspecto messiânico, a necessidade de ligar os povos, uni-los, pelo processo de miscigenação, a mistura das raças associa-se aeste signo. Podemos entender a energia de Peixes pela procura da unidade na multiplicidade. O propósito da segunda fase mundial da Era de Peixes — a difusão do Cristianismo no plano universal, coube à nação portuguesa pela revelação de um propósito ou desígnio oculto patentes na sua fundação. Refiro-me ao sonho transfigurador que ocorreu em Afonso Henriques na célebre madrugada da Batalha de Ourique. Tal como Moisés após a descida do Sinai, Afonso transfigura-se, em sonho aparece-lhe Jesus Cristo, é aclamado Rei no início da batalha contra os 5 reis mouros, e inscreve a visão das cinco chagas no emblemático escudo das cinco quinas. A partir de então, Henrique o Rei/Sacerdote sente-se predestinado a realizar um propósito, uma missão que passa pela manifestação do transcendente no imanente, implantando e plasmando no domínio material o que já se encontrava inscrito noutros planos mais subtis. Muitas vezes esquecemo-nos que embora o Homem faça a História, a Terra tem o seu próprio ritmo e os seus ciclos (evolução através de Eras) em conjugação com outras forças e inteligências, inscritas num outro domínio para além da nossa tridimensionalidade existencial.

A partir de então, a portugalidade irá assentar no ideal cisterciense e templário. Basta ver que de D. Afonso Henriques descendia da linhagem de São Bernardo o Abade de Claraval, a figura mais mediática da religiosidade desse período. A São Bernardo, nobre da Borgonha, é lhe atribuído as principais linhas que estão no espírito da Ordem dos Templários e das reformas introduzidas nas Ordens de Clunny e Cister. Estas Ordens, cuja missão era simultaneamente espiritual, religiosa e material tinham como objectivo no seu aspecto esotérico a implementação da Monarquia Universal (a fusão do poder espiritual com o poder temporal), aquela que é descrita na visão de Dante e que mais tarde servirá de inspiração para a construção do mito do Quinto Império. Desta forma, não é por acaso que São Bernardo e o Papa Eugénio III estão representados na coroação de Afonso Henriques no Mosteiro de Alcobaça, (sede da ordem de Cister em Portugal). Remontando à casa de Borgonha na altura em que assumem o Condado Portucalense, os condes D. Henrique e D. Raimundo já pertencem a uma aristocracia ligada ao espírito das ordens de Clunny e Cister; outro facto não menos relevante é termos um presumível cavaleiro português Arnaldo da Rocha, como um dos nove Fundadores da Ordem do Templo.

 

 

Através de Afonso Henriques se vai construindo o Portugal Templário, com a ajuda destes cavaleiros que congregam os ideais religiosos (atribuídos simbolicamente a Júpiter/Neptuno os regentes do signo de Peixes) com os da conquista (Marte) assim se vai esboçando o plano que irá desembocar na gesta marítima.

O início do Reino de Portugal no seu aspecto esotérico começa no ano de 1136, embora os anos de 1128 (Batalha de São Mamede) e 1139 (Batalha de Ourique) sejam anos cruciais na implantação do Reino. Se fizermos a redução teosófica de 1136 (soma das parcelas) temos o nº 11 como resultado, em termos numerológicos este é o número associado ao planeta Úrano. Ora toda a fase de 1080 a 1260 (7ª fase do ciclo mundial, corresponde ao signo da Balança) é consignada à sub-regência de Balança em pleno apogeu da Era de Peixes (2160:12=180 anos). As conjunções de Úrano e Neptuno dão-se periodicamente com ligeiras variações em cada 175 anos, marcando assim, em termos qualitativos cada um destes períodos de 180 anos. Estas conjunções marcam períodos de grandes mudanças sociais e colectivas, o propósito da união destes dois astros é fundir numa só unidade o individual e o colectivo, a mente e o sentimento, o ocidente e o oriente… Nestas conjunções plantam-se sementes cujo potencial é abrir novos rumos e ideais para toda a Humanidade.

Úrano é o planeta que simboliza a renovação, a inovação e a liberdade. Tradicionalmente é o regente esotérico da Balança, isso significa que ao nível da alma ele procura transformar e renovar o verdadeiro sentido das relações humanas por uma individualização que integre a dialéctica dos pares de opostos. Por sua vez, Neptuno em Balança, pede uma maior abertura e compreensão do “Outro” quando exprime a vertente de luz, no seu aspecto ilusório ou de sombra, dá origem a mitos de projecção ou de evangelização forçada, assentes no dogmatismo – o desejo que os outros sejam uma cópia de nós.

O sétimo período da Era mundial de Peixes foi o período das Cruzadas, que no seu aspecto mais primário trouxe guerras e pilhagens, mas por outro, levou-nos ao contacto com outras culturas, à expansão de ideias e ao alargamento de horizontes. O trabalho de Úrano e Neptuno em Balança (1º signo do 3º quadrante colectivo) no seu aspecto mais universal foi o de relacionar as três grandes culturas da época: o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo. Todo o 3º quadrante da Era de Peixes compreende os anos de 1080 a 1620, assim temos a Balança ou fase 7 de 1080 a 1260; Escorpião ou fase 8 – de 1260 a 1440; e Sagitário ou fase 9 – de 1440 a 1620.

Ciclos Astrológicos

Ciclo de Borgonha 1090, o Ciclo dos Heróis (Urano e Plutão em Carneiro)

A primeira grande conjunção dos Planetas lentos (aqueles que marcam os grandes eventos colectivos) na fase 7, de 1085 a 1265, começa com a conjunção de Úrano e Plutão em Carneiro em 1090, e corresponde aqui no Ocidente à chegada dos Condes de Borgonha à Península Ibérica. Para além das guerras, algo de novo, inusitado, intenso e pioneiro iria acontecer a neste período. Em simultâneo é proclamada a 1ª Cruzada a Jerusalém no final do ano de1095com a seguinte configuração: Cruz em T Cardinalformada por Úranoa 23/24 de Carneiro quadratura a Neptuno a 25 de Câncer, quadratura a Júpiter a 21 de Capricórnio.

1109– Ano possível do nascimento de Dom Afonso Henriques; pequeno triângulo formado por Úrano em Gémeos, sextil a Neptuno em Leão, sextil a Plutão em Carneiro. Temos um sextil crescente de Úrano a Plutão e um trígono também crescente entre Neptuno e Plutão.

1118– Fundação da Ordem dos Templários ou Ordem da Cavalaria do Templo de Salomão por Hugo de Payens.

Posição dos planetas lentos: Úrano a 28º de Câncer quadratura a Plutão 29 de Carneiro, Neptuno a 15 da Virgem. O ciclo iniciado pela conjunção de Úrano/Plutão a 1º de Carneiro em 1090 atinge agora a sua primeira quadratura crescente, a crise e a tensão necessárias para dar forma a uma nova base ou fundação (fase 4 do aspecto) que permite a expansão das energias em causa (confronto entre as energias do passado e o apelo do futuro).

1128– Reconhecimento da Ordem pelo Papa; Úrano em Virgem, Saturno em conjunção com Neptuno em Balança (formalização da ordem, com a cobertura cristã). Ainda neste ano Dona Teresa, mãe de Afonso Henriques doa o Castelo de Soure aos Templários e ainda neste ano dá-se a Batalha de São Mamede na qual Dona Teresa cede à sua pretensão de unir o Condado Portucalense com o Condado da Galiza.

Temos conhecimento que milícias Templárias terão entrado em Portugal ainda no tempo de Dona Teresa, que lhes doou a povoação de Fonte Arcada, em Penafiel, no ano de 1126 antes da ordem ser reconhecida pelo Papa.

 

Artigo publicado no Jornal da ASPAS

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