Titi Vidal – A relação entre as grandes conjunções, a gripe espanhola e a COVID-19

Júpiter e Plutão, que se encontram a aproximadamente cada 13 anos, estiveram juntos no signo de Câncer em 1918, quando um tipo de vírus influenza que até então só existia nas aves sofreu algumas mutações e passou a ser transmitido aos seres humanos. Foi uma verdadeira catástrofe na época. A chamada gripe espanhola levou mais de 100 milhões de pessoas à morte. Uma gripe tão letal que provavelmente saiu dos Estados Unidos e, por conta da Primeira Guerra Mundial, foi para a Europa e, de lá se espalhou para todo mundo. Saturno e Plutão haviam se encontrado no signo de Câncer pouco antes, em 1915 e muitas tensões já vinham acontecendo no mundo desde então, como o início da Primeira Guerra Mundial, por exemplo.

Em 1918, quando a gripe espanhola ganhou o mundo, Saturno, que já estava no signo de Leão, fazia uma oposição com Urano que estava em Aquário. As estruturas do mundo precisavam mudar e isso aconteceria de forma bastante significativa ainda que, infelizmente, às custas de destruição e morte em massa. O mundo estava sendo repensado naquele momento e muita coisa ainda iria mudar.

A gripe espanhola perdurou dois anos, apesar de 1/3 das mortes terem acontecido em um curto período de tempo, entre setembro e dezembro de 1918. Estima-se que aproximadamente 10% de toda população jovem tenha morrido durante a pandemia.

Depois de outros encontros ao longo de quase um século, alguns dos mesmos aspectos da época se repetem neste 2020 tão intenso. Em janeiro, Saturno e Plutão voltaram a se encontrar, desta vez no signo de Capricórnio, signo oposto ao da época da gripe espanhola. Júpiter veio ao encontro de ambos, para 3 conjunções exatas com Plutão ao longo do ano. Marte se uniu ao trio e entre março e abril fez conjunção com eles. Agora, no segundo semestre, em desenvolvimento a esses grandes ciclos, tem feito quadraturas que intensificam e reforçam os eventos e efeitos.

Um novo tipo de coronavírus se espalhou por todo planeta e em poucos meses já provocou milhões de infecções e centena de milhares de mortes em todo o mundo. Enquanto as previsões relacionadas a uma grande conjunção entre Saturno e Plutão em Capricórnio apontavam para uma possível Terceira Guerra Mundial, o mundo entrou em guerra contra um inimigo invisível e bastante poderoso que, pelo menos até agora, não tem previsão de extinção.

Saturno e Plutão conjuntos costumam trazer uma série de eventos marcantes e, entre eles, temos as doenças e pestes. Plutão, que costuma reger tudo aquilo que é muito pequeno e poderoso, inclusive com efeitos fatais e devastadores, ainda contou com os aspectos com Júpiter em detrimento no signo de Capricórnio, espalhando seus efeitos por todo o planeta. Estamos diante de aspectos intensamente complicados acontecendo simultaneamente.

A maioria das vítimas em 1918 foram adultos jovens, enquanto em 2020 a população mais idosa tem sofrido os efeitos da COVID-19. Curioso, pensando sobre Saturno em Leão antes e em Capricórnio neste momento.

Aspectos entre Saturno e Urano, que pedem novas configurações mundiais, inclusive em termos de produção, consumo e o sistema capitalista em si, em ambos períodos em signos fixos, forçando realmente uma mudança de postura frente aos acontecimentos vividos.  Se em 1918 Saturno em Leão se opunha ao Urano em Aquário, agora Saturno chega a Aquário, enquanto Urano pede urgentes mudanças em Touro, para que o modelo econômico e os valores coletivos passem por mudanças essenciais.

Outro ponto importante sobre os aspectos de 1918 e de 2020 é que são aspectos importantes para o desenvolvimento científico, tecnológico e isso inclui a medicina. O jornalista e historiador John M. Barry, em seu livro A grande gripe: a história da gripe espanhola, a pandemia mais mortal de todos os tempos, conta que a história da gripe espanhola não é apenas “o caos, a morte e a desolação da sociedade em uma guerra contra a natureza sobreposta a uma guerra contra outra sociedade humana”, mas também “uma história de ciência, de descoberta, de como se pensa e de que modo mudar a maneira como se pensa, de como, em meio ao caos quase absoluto, alguns homens buscaram a frieza da contemplação, a calma absoluta que precede não a filosofia e, sim, a ação severa e determinada”. Para ele, a gripe espanhola foi “o primeiro grande choque entre a natureza e a ciência moderna”. Penso que, de alguma maneira, estamos vivendo algo semelhante neste momento. Para o pesquisador, entre 1918 e 1920, durante a forte presença da gripe espanhola no mundo, a medicina avançou mais do que havia avançado durante séculos.

Estamos, inclusive, acompanhando avanços importantes na medicina, como o surgimento de novas esperanças para tratamento do vírus HIV que, pela primeira vez, conseguiu ser isolado no organismo de um portador, por pesquisadores brasileiros. Vale lembrar que o HIV surgiu também durante uma conjunção entre Júpiter e Plutão, em 1981, no signo de Libra, o que traria grande impacto nos relacionamentos dali para frente. Urano estava no signo de Escorpião, intensificando as mudanças também em termos de intimidade nas relações, uma vez que o vírus HIV é transmitido, entre outras maneiras, através da relação sexual. Os ciclos seguintes, quando Júpiter e Plutão voltaram a fazer aspectos, bem como alguns trânsitos de Urano pelos signos fixos, trouxeram avanços importantes com relação a esse assunto, como tem acontecido neste momento.

Avanços científicos como os estudos sobre tratamentos contra o HIV, de alguma maneira, nos enchem de esperanças na corrida por uma ou muitas vacinas eficientes contra o novo coronavírus que, a depender dos aspectos astrológicos promissores, devem surgir em tempo recorde. E, nesse sentido, estamos acompanhando o avanço das pesquisas e testes, na torcida para que isso de fato aconteça o mais rápido possível.

Importante frisar que ao mesmo tempo que o céu de 2020 aponta para grandes tensões, isso nos leva a, de fato, repensar tudo. Com aspectos que se desenvolvem a partir do signo de Capricórnio, enquanto Urano também transita por Touro, temos uma ênfase no elemento terra, apontando para mudanças de fato estruturais. Isso inclui a forma como cuidamos do meio ambiente, como produzimos e consumimos qualquer coisa.

Não é à toa que ao longo de 2020 já tivemos, inclusive, erupções de mais de 15 vulcões, como se a própria Terra estivesse a ponto de explodir, clamando por mudanças.

Vale lembrar que os efeitos de uma grande conjunção permanecem por tempos determinados e que o fato de Marte estar envolvido em todas elas, deve levar seus efeitos até 2022, quando parte dos ciclos se fecham e a vida deve continuar com novos desafios e oportunidades.

Não só a gripe espanhola, mas muitas das grandes pandemias e pestes anteriores tiveram um intervalo de até dois anos de caos e de tensões. Imagino que isso não será diferente dessa vez. Além disso, o desenvolvimento das conjunções entre Júpiter, Saturno e Plutão também seguem se desenvolvendo no tempo e parece ser importante aproveitar o aprendizado do momento para evitar futuras pandemias em outros pontos específicos de tais ciclos.

Além disso, ao longo de todo 2021 teremos o desenvolvimento do grande ciclo entre Saturno e Urano, com o Saturno em Aquário e o Urano em Touro, em um aspecto que costuma estar presente em momentos de crises econômicas e especialmente ligado ao desenvolvimento do capitalismo. Comum, ainda, em tempos de reconstrução após crises e guerras e, ao que tudo indica, pode apontar os custos a serem pagos após uma grande pandemia.

Os modelos econômicos mudando incluem novas formas de trabalho, de relação com o dinheiro e as pessoas. O surgimento de novos bancos virtuais, o aumento do trabalho em home office, o aumento dos serviços digitais passam por esses aspectos. E não deixam de ser consequências de todos esses aspectos que estamos vivendo.

Temos que lembrar, ainda, sobre o fato de Saturno e Plutão conjuntos costumarem gerar um estado geral de pânico e tensão, sendo um aspecto relacionado aos medos e surtos coletivos. Ainda temos Netuno em Peixes nesse contexto, enfatizando as fantasias e surtos coletivos, potencializando o espalhamento de uma grande pandemia e, ao mesmo tempo, nos confundindo sobre o excesso de informações e, de certa forma, trazendo uma certa onda de alienação coletiva, o que Saturno e Plutão muitas vezes também costumam trazer. São períodos mais sombrios, onde o possível fim da humanidade passa a ser discutido, uma vez que sempre trazem um aumento nas mortes no mundo, ainda que por motivos diferentes.

Podemos ressaltar, ainda, os movimentos conservadores e políticas mais coercitivas e extremas, que também têm se evidenciado bastante ao longo da crise mundial que estamos vivendo. Questões ligadas a fronteiras também passam a ser discutidas e, desta vez, a questão é o vírus e a necessidade de exterminá-lo.

Os relacionamentos pessoais também são pauta em tempos de quarentena e isolamento social forçado ou voluntário em torno do mundo. Da ausência ao excesso de presença, as dinâmicas relacionais estão sendo revistas.

Curiosamente, no início da pandemia o Nodo Norte apontava para o signo de Câncer, em oposição ao grande encontro entre Marte, Júpiter, Saturno e Plutão em Capricórnio. De alguma maneira, enquanto novas ameaças vieram dominar e assustar o mundo, os astros nos pediam para voltar pra casa, literalmente. Fomos obrigados a estar em casa, estar mais perto do nosso lar, que não deixa de representar nossas estruturas mais profundas. Não é à toa que tanto Lua como Casa 4 são ao mesmo tempo representantes da casa como das nossas estruturas emocionais. Fomos levados a descobrir como estar em casa, conhecer nossos limites e medos mais profundos – mais uma questão ligada ao Saturno e o Plutão em Capricórnio. Fomos levados a viver perdas, lutos, transformações internas, que seguem acontecendo. Ainda estamos nesse processo.

Certamente é um dos momentos mais difíceis das nossas vidas, enquanto sociedade. Mas estamos juntos nisso. Todos países, todos continentes, todos os seres humanos. Conectados por eventos desafiadores, desencadeados e trazidos à tona por um inimigo invisível, um vírus que ameaça a vida de muitos de nós, nos lembrando de olhar para o que é essencial, conhecer a história, olhar para o passado para reescrever o futuro.

E essa não deixa de ser uma grande oportunidade, seja de compreendermos que estamos juntos, todos no mesmo barco, cada um de nós, enquanto indivíduo e cada um de nós enquanto núcleos e cidades e países lidando com o mesmo céu de acordo com seu próprio mapa natal e estrutura interna. Uma aula de Astrologia em tempo real, do quanto o céu se reflete na Terra ou, pelo menos, narra os acontecimentos que vamos vivendo, apontando também caminhos, enquanto oferece recursos e possibilidades para cada um de nós.

Muitos estão prosperando durante a crise. Outros tantos estão repensando suas vidas individuais e coletivas, compreendendo, inclusive, o quanto responsabilidade social será algo cada vez mais importante, uma vez que os gigantes estão seguindo para o signo de Aquário. Já tivemos uma prévia importante disso com o primeiro ingresso de Saturno em Aquário em 2020. O que um de nós faz, nunca teve um impacto tão intenso na vida de muitos. Netuno em Peixes já vinha nos avisando: somos todos um.

Agora, daqui para a frente, é hora de termos cada vez mais consciência de tudo que está acontecendo e levar a sério a ideia de que podemos reescrever nossa história, agora, neste momento. Para isso, precisamos seguir também os nodos lunares que agora estão no eixo Gêmeos-Sagitário, para repensarmos também a forma como nos informamos, como consumimos informação e conhecimento e como nos comunicamos.

Teremos novos tempos pela frente, quando todos os planetas migrarem da Terra para o Ar. Mas isso será outra história e, para que possamos de fato voar com o ar, temos que construir estruturas mais sólidas com a Terra. E para isso precisamos também aprender a respeitar os tempos e limites que têm nos sido impostos. Mais uma questão forte relacionada ao encontro de Saturno e Plutão no signo de Capricórnio.

É por isso que não adianta correr. É preciso compreender a dinâmica de cada ciclo e acontecimento, reconstruindo a vida a passos lentos, porém firmes e estruturados, consistentes, rumo a um futuro de fato melhor.

E essa é a grande beleza da Astrologia que, no fundo, é esse estudo dos ciclos celestes e sua relação com os acontecimentos terrestres e que nos ensina o que está por trás de cada um deles, tentando nos guiar pelos infinitos caminhos da vida.

Assim, precisamos olhar para esse momento como um momento que, como todos os outros, é cíclico e traz consequências de tempos anteriores, enquanto nos leva a novos contextos, como uma eterna transição e uma vida em constante movimento.

Além disso, precisamos entender que é justamente nas grandes crises que grandes avanços acontecem e é por isso que devemos seguir fazendo nossa parte para entender como aproveitar esse momento como uma chance para repensar a vida e criar um mundo mais saudável em todos os sentidos.

E como a vida tem nos trazido oportunidades para esse repensar e recomeçar, inclusive pela intensa presença de movimentos retrógrados e repetição de ciclos ao longo do ano. Entre eles da própria conjunção entre Júpiter e Plutão, que farão aspectos exatos em 3 diferentes momentos ao longo do ano.

A gripe espanhola matou uma quantidade considerável da população, em meio ao caos também da Guerra e de tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mas foi também um dos momentos históricos de maior avanço científico, tecnológico, de temas ligados à ciência e à medicina, além de outros desenvolvimentos que vieram em consequência do caos. Da mesma forma, esse momento deve seguir na mesma linha e é para isso que precisamos aprender a olhar.

Que saibamos viver essa fase da melhor maneira possível e que nos sirva de aprendizado para vivermos melhor daqui para a frente, com a ajuda da nossa Astrologia.

 

 

Titi Vidal®️ é astróloga, taróloga, jornalista e escritora. Atende e ministra palestras e cursos. Autora de livros. Colunista de sites, revistas e jornais. Já atuou como advogada. Pós graduada em Jornalismo e em Influência Digital. Mestre em Comunicação. Produtora de conteúdo. Criadora da Rede Bellatrix. Criadora, roteirista e apresentadora do canal www.youtube.com/titividal e do Podcast Original da Deezer Céu da Semana com Titi Vidal, o primeiro podcast de Astrologia no Brasil.

Site www.titividal.com.br

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