João Medeiros – Planetas Femininos e Masculinos

Neste artigo, abordamos o tema dos planetas femininos e masculinos aplicados à tendência que um indivíduo terá de ter filhos meninos ou meninas.

Segundo a Astrologia tradicional, os planetas considerados masculinos são: Saturno, Júpiter, Marte e o Sol. Os femininos serão: Vénus e Lua. Mercúrio dependerá de ser oriental ou ocidental (em relação ao Sol) e dos aspetos com os outros astros.

Contudo, quer sigamos Astrologia Horária ou Natal, esta classificação é claramente enviesada na direção do masculino (65 % a favor, contra 35 % de probabilidade feminina) tornando pouco fiável a determinação de tendência de nascimento de filho rapaz ou rapariga.

Nesse sentido, este artigo pretende apresentar uma proposta de reformulação deste conceito aplicado a casos concretos de Astrologia Natal. O mesmo raciocínio poderá ser aplicado também para Astrologia Horária, no que toca à classificação do género dos planetas. 

O Sexo dos Filhos no Mapa Natal

Segundo autores como Ptolomeu ou Lilly, planetas nas Cúspides das Casas 5 e 11 e mesmo da Casa 10, podem ser indicadores dos “frutos” e do sexo das crianças, caso o indivíduo as tenha. O Meio-do-Céu é relevante por ser os frutos que deixamos ao mundo.

Por exemplo, se Vénus estiver na Cúspide da 11 (que faz oposição à 5 e considerada tradicionalmente também uma casa de “esperanças”, ou seja, gravidez) a tendência seria mais feminino.

Porém, o assunto não é assim tão simples porque, por exemplo, a pessoa pode ter um filho de cada género ou vários astros nestas cúspides.

Pela minha experiência, parece-me que os planetas nestas casas são mais indicadores do tipo de relação com o filho e sua disposição comportamental do que com o seu sexo. Por exemplo, Marte no meio da Casa 5 pode representar um filho com um temperamento impulsivo e ativo, mas que até pode ser uma rapariga.

Contudo, a proximidade da cúspide das casas referidas (até 2 graus) ou o aspeto mais exato ao Meio-do-Céu (caso não tenhamos conjunções às cúspides 5/11) é o principal candidato a esta tendência: masculino, feminino ou mista (rapaz muito igual à mãe ou rapariga muito igual ao pai; ou rapariga e rapaz).

Neste caso, o planeta Marte na cúspide pode representar tendência para filhos homens, muito mais do que se estiver no meio das casas.

Masculinos e Femininos

Para este critério, como diziam os antigos, tem lógica que quanto mais oriental (em relação à posição do Sol) um planeta estiver, mais masculino será. E, pelo contrário, quanto mais ocidental (ou seja, em signos depois do Sol) mais feminino.

Se estiver em signos de polaridade masculina (Fogo e Ar) mais força do masculino. Se em signos de polaridade feminina (Água e Terra) mais força do feminino.

Em termos dos planetas faz-me sentido que além de Vénus e Lua – os astros mais femininos – Júpiter acompanhe na tendência feminina (mas não tão forte quanto os outros) por ser também um planeta fértil, benéfico e “barrigudo”, isto é, podendo engravidar.

Nesse respeito, teríamos como Masculinos (por ordem de força) – Sol, Marte Saturno (moderamente masculino) e Femininos – Lua, Vénus e Júpiter (moderamente feminino) e Mercúrio ambivalente.

Entre todos os critérios, aquele que no meu entender tem dado mais resultado na prática é a orientalidade e ocidentalidade do astro. Ou seja, se Vénus estiver oriental e num signo masculino sobre o Meio-do-Céu poderá resultar em filhos homens, por exemplo, embora com um temperamento simpático e/ou muito parecido com a mãe.

Contudo, se for Marte, oriental e num signo masculino a tendência seria para filhos homens que fossem impulsivos, ativos e muito parecidos com o pai.

No caso de haver mais que um planeta nestas condições, o diagnóstico pode ser misto.

Exemplos

Vejamos o caso de alguns famosos. 

O príncipe Carlos tem o Sol exatamente sobre a Cúspide da Casa 5. Um astro masculino num signo feminino (ainda que Escorpião, seja regido por Marte) mas que não pode estar oriental nem ocidental. É também regente do ascendente sendo ele um homem – o que sugere filhos do mesmo sexo do próprio dono do mapa – isto é, masculinos.

O outro astro candidato seria Vénus em Balança oriental, portanto, um astro feminino mas em posição maioritariamente masculina. E, portanto, a tendência seria mais masculina que feminina, ou seja, rapazes com um feitio simpático ou mais parecidos com a mãe.

O caso A é de um cliente-homem com 3 filhas raparigas. Não tem nenhum planeta nas cúspides das Casas 5/11 mas tem a Lua em Escorpião no Meio-do-Céu, a menos de 2 graus. 

É um astro muito feminino, num signo feminino e ainda em posição ocidental – feminina – por não ter completado os 180 graus até à Lua cheia. O outro candidato seria Mercúrio por fazer aspeto exato ao MC por oposição (mas como em aspeto muito exato com a Lua, e num signo feminino, adquiria as qualidades dela). 

E, portanto, a tendência seria declaradamente feminina e fértil. Ou seja, diagnóstico de ter filhos e tendencialmente raparigas, com parecenças mistas entre mãe e pai, embora até mais com a mãe.

Por último, o caso de um cliente-homem com 3 filhos rapazes. Pela posição de Júpiter e Lua perto dos ângulos em grande força – e Caranguejo – estes seriam argumentos para ter mais filhos do que o normal na sociedade.

Também não tem nenhum astro nas cúspides das referidas casas, nem nenhum astro no Meio-do-Céu. Contudo, o astro que forma aspeto mais exato com o Meio-do-Céu é Júpiter, seguido do Sol em Sagitário.

Júpiter, pela lógica referida, é mais feminino que masculino, mas num signo feminino. Contudo, está muito oriental – o governante da locomotiva – e, por conseguinte, altamente masculinizado. O trígono do Sol ao Meio-do-Céu, estando num signo de Fogo e sendo masculino, acrescenta, também, masculinidade.

Neste caso, o diagnóstico seria de muita fertilidade (muitos filhos, caso quisesse tê-los) tendencialmente masculinos mas parecidos com a mãe ou com um feitio jupiteriano, isto é, divertido e viajante. A forte orientalidade da Lua e Júpiter, regentes do ascendente, também sugerem mais masculinidade.

O mapa das esposas destes dois clientes confirma este diagnóstico, no qual é a ocidentalidade/ orientalidade do planeta em aspeto mais exato o principal argumento determinante do sexo dos seus filhos.

Conclusão

Mais casos seriam necessários para se estabelecer uma validade universal. Contudo, esta técnica sugere-me que:

1 – a proximidade até 2 graus às cúspides das Casas 5, 11 e 10 são importantes;

2 – em alternativa e complemento, os aspetos exatos ao Meio-do-Céu

3 – tão ou mais determinante do que a natureza feminina ou masculina dos astros será a sua orientalidade ou ocidentalidade.

Pessoalmente, neste âmbito, faz-me sentido considerar a Lua como mais feminino dos astros e o Sol como mais masculino e não tanto o par Vénus-Marte. Serão também de considerar eventualmente aspetos ao Ascendente, caso haja fracos ou nenhuns aspetos relevantes ao Meio-do-Céu.

Obviamente que, para aplicação desta técnica será essencial contar com horas de nascimento muito fiáveis e não arredondadas.

João Medeiros – membro nº 19

Artigo publicado no Jornal Astrológico 4 Estações edição 24 e 25

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