Luís Resina – Fundação e Templarismo (III Parte)

A II Dinastia à luz dos Ciclos Astrológicos

Breve notas para uma compreensão da dinastia que criou a gesta marítima

A ínclita Geração – A Dinastia de Avis e o messianismo português

É coisa rara ver e de pasmar como diria Camões, quando observamos a influência de Plutão (o regente esotérico de Peixes) em Carneiro a dar início aos grandes marcos da história de Portugal. O começo da dinastia de Borgonha com D. Henrique e o nascimento de Afonso Henriques estão sob a tutela desta posição anteriormente conectada como – “O ciclo dos Heróis”. 

No segundo ingresso de Plutão em Carneiro 1332 a 1361 deu-se na Europa a Guerra dos Cem Anos; em Portugal tivemos o romance épico entre D. Pedro e D. Inês de Castro, o nascimento de D. João I e de Nuno Álvares Pereira e a chegada dos portugueses às Canárias no reinado de D. Afonso IV…

A Dinastia de Avis tem como pai D. João I, aquele que assume ao longo do seu reinado o papel de rei-sacerdote na linha da tradição arturiana e, é através das palavras de Fernão Lopes que ouvimos dizer que este rei instaurou a 7ª idade no Mundo! 

Comecemos primeiro por ver alguns aspectos do mapa natal deste rei

D. João I nasceu com o Sol em conjunção com Plutão em Carneiro, tendo Marte como regente desta conjunção na posição mais elevada do céu! Marte por sua vez encontra-se em trígono exacto com o Nó Lunar Norte da Lua em Aquário e em aspecto de sextil com o Nó Lunar Sul em Leão. O Mestre de Avis é aclamado rei nas cortes de Coimbra e guardião da tradição da nobreza ancestral lusitana (Nó Lunar sul em Leão). A cabeça do Dragão em Aquário na casa 5 denota a necessidade de deixar a sua marca individual no colectivo (a casa relacionada com os filhos). A posição de Vénus em Peixes na casa 7 liga-se ao seu casamento com D. Felipa de Lencastre (Vénus em exaltação e dignificada acidentalmente) e encontra-se também em conjunção com o Sol e o Nó Lunar Sul do mapa da fundação do Convento de Cristo já referido anteriormente.

 Olhemos agora para o mapa do dia da aclamação de D. João I pelas cortes de Coimbra

Marte em Carneiro conjunto com a casa 11 do tema, aquela que representa as cortes, está em conjunção com o Sol e Plutão de D. João I no signo de Carneiro; por sua vez, o Sol e o Mercúrio em Peixes deste mapa encontra-se em conjunção com a Vénus de D. João I e o Sol e o Nó Lunar Sul do mapa do Convento de Cristo. Estes são sinais que a tradição esotérica portuguesa mantém-se viva através do 1º rei da dinastia de Avis.

O propósito da alma portuguesa está bem patenteado nas energias duplas de Carneiro e Peixes que já se encontravam presentes no início da dinastia de Borgonha, agora com D. João I estas energias são reforçadas através do seu casamento com Dona Felipa de Lencastre criando um maior vínculo na aliança luso-britânica, a aliança mais antiga do continente europeu. 

Passemos agora a um breve comentário do horóscopo do Infante D. Henrique do qual temos algumas descrições na “Crónica da Guiné” de Gomes Eanes de Zurara. 

No mapa do infante encontramos o Sol e Mercúrio a 21º e 22º de Peixes em perfeita conexão com os mapas de D. João I e com o Convento de Cristo! Os signos de maior importância neste mapa são os Peixes (Sol, Mercúrio, Marte e Júpiter) e o Carneiro (Ascendente e Lua).

Carneiro – líder e pioneiro; Peixes – sentimentos universais e gesta marítima.

Não deixa de ser curioso ver que os Nós Lunares no mapa do Infante são os mesmos por signo que o de D. João I, só que neste caso a realeza de Leão vai encontrar a sua expressão no seio do colectivo em Aquário (casa XI), nos grandes ideais de ligação entre povos e culturas. Saturno regente do Meio-do-Céu encontra-se exaltado em Balança mostrando equilíbrio, tacto e diplomacia na forma como este regeu e administrou a Ordem de Cristo. 

Júpiter, o regente da casa 9, a das viagens, está em Peixes na casa 12, esta posição acentua o fervor místico, a dedicação e o gosto pelo recolhimento. Assim, não é de estranhar que o seu comando além-mar seja feito mais nos bastidores do que pela presença directa e física. 

O Infante através da sua capacidade de gestão e inovação abriu o caminho de interligação marítima que veio a estar na base do cosmopolitismo do nosso mundo moderno.

D. Afonso V e a diluição do projecto imperial tendo como base a unificação da Ibéria

O projecto universalista de D. Afonso V está simbolizado no tema natal pelo ascendente Peixes e pela conjunção do Sol e do Nó Lunar Norte em Aquário na 12ª casa, a do universalismo e das provações. Para realizar esse sonho D. Afonso necessitava de aliados e, se olharmos para a sua casa 7 esta é regida por Mercúrio que se encontra colocado no signo de Capricórnio na casa 11 em oposição à Lua e Plutão. Com estes aspectos, o mais natural é que este rei se tenha sentido desiludido e traído com os acordos e as promessas que esperava obter para assumir o trono de Castela, outra posição que reforça esta tese é a oposição de Vénus em Aquário a Neptuno em Leão. Com a pretensão de construir um império Ibérico juntando aos projectos expansionistas do norte de África, D. Afonso V prosseguia o sonho da realização imperial mais pela via terrestre do que pela via marítima.

Para já fiquemos com um apontamento de mais duas posições a de Marte a 14º de Peixes e a de Úrano a 25º de Carneiro que voltarei a referir quando analisarmos o mapa de D. Sebastião.

D. João II e o rompimento da tradição Iniciática

D. João II deu continuidade ao trabalho de expansão marítima já encetado pelo Infante e pelos seus percursores, para isso valeu-lhe as energias fortes dos signos fixos, Touro e Leão, no entanto, o espírito messiânico que estava por trás dos Descobrimentos foi-se perdendo em prol dos benefícios materiais daí resultantes. Este rei apresenta-nos o primeiro modelo do monarca absolutista: ascendente, Úrano e Plutão estão posicionados em Leão na 1ª casa, o Sol regente do ascendente é o planeta mais elevado e está colocado em Touro na casa 10, em oposição a Saturno na casa 4. Um tanto ou quanto déspota e autoritário, D João II começa a fazer rolar algumas cabeças de nobres da casa de Avis e de Bragança, mestres templários e todos aqueles que pudessem ameaçar a centralização do seu poder régio. Apesar da sua capacidade de materialização, nunca foi um rei apreciado pela maior parte da nobreza. Foi da sua autoria a mudança de direção dos escudos no brasão nacional, alteração posicional, que segundo o historiador Manuel Joaquim Gandra dá início à fase de declínio da missão espiritual portuguesa. O seu maior fracasso foi a perda do filho varão D. Afonso, e depois de alguns incidentes até ao final do mandato, teve que deixar o trono a seu contra gosto, a seu primo e cunhado D. Manuel I. 

Saturno e o Nó Lunar Norte em Escorpião são alguns dos sinais que conduzem a perdas, rupturas e transformações ligados ao destino deste rei.

D. Manuel I e a conversão dos Judeus em Cristãos Novos

Dada a falta de exactidão da hora de nascimento de D. Manuel I irei apenas realçar algumas posições planetárias marcantes no seu mapa. Comecemos então com a Cruz em T Fixa formada por Saturno em Touro em oposição a Neptuno em Escorpião, ambos em quadratura a Júpiter e ao Nó Lunar Sul em Leão que são a saída desta Cruz em T. 

D. Manuel herda a centralização régia do poder e um vasto território já conquistado sob o mandato de D. João II (Nó Lunar Sul em Leão) mas é no seu reinado que este património vai ser expandido e desenvolvido (Júpiter em Leão) até que a expansão marítima se torne um Império português. Centralização, absolutismo e poder estão associados a estes signos pertencentes à Cruz Fixa, no entanto, a Lua e o Nó Lunar Norte em Aquário indicam uma necessidade de levar aos quatro cantos do mundo todo este poder régio.

O aspecto sombra desta Cruz em T ficou assinalado na sua política ambígua e duvidosa como tratou com o poder temporal de Roma. Devido ao seu casamento com Isabel de Aragão e para agradar aos reis católicos, D. Manuel a partir de 1496 começa uma política ruinosa encetada com diversas perseguições a Mouros e Judeus. As conversões forçadas dos Judeus em Cristãos Novos e o pedido secreto a Roma no ano de 1515 para que a Inquisição fosse instalada em Portugal, no ano em que foi completada a famosa Janela Manuelina do Convento de Cristo em Tomar, foram sem dúvida os erros mais graves cometidos no seu mandato.

Ano 1496 

Trânsito de Júpiter e Plutão em Escorpião pelo Neptuno natal de D. Manuel I activando toda a Cruz em T (Júpiter e Neptuno regentes do cristianismo e do catolicismo em oposição a Saturno o regente da autoridade temporal!)

Ano 1498 – Chegada à Índia

Trânsito de Úrano em conjunção com a Lua Natal e retorno de Saturno no signo de Touro.

D. João III, a Inquisição o apogeu e o desmoronar do Império

Se há algo em comum entre estes três últimos monarcas são os últimos graus do signo do Touro, D. João II e D. Manuel I têm Vénus em Touro em domicílio nestes graus. A Vénus domiciliada em Touro é poderosa no sentido físico e material, e D. João III com Júpiter posicionado neste signo e nos mesmos graus que os seus antecessores, acaba por dilatar e expandir toda a riqueza herdada.
Assim, o Império marítimo português chega ao auge neste reinado, mas ao mesmo tempo que culmina, começa a sofrer a influência da oposição de Plutão em Escorpião a Júpiter em Touro, presente no mapa natal de D. João III. As consequências não tardam a manifestar-se, perdas de praças, crises económicas, adversidades e rupturas que se vão acentuando num Império cada vez mais espartilhado. Se observarmos, Neptuno em Capricórnio é o planeta mais elevado deste tema, o que favorece a diluição do poder do Estado. Outras influências importantes que contribuíram para o desaire deste rei foi a demasiada dependência emocional que este monarca nutriu pela rainha Dona Catarina. Esta está representada no seu mapa pelos regentes da casa 7, Marte em Leão posicionado na casa 4 e Plutão em Escorpião na casa 7. Sabemos que D. Catarina teve uma influência decisiva para a entrada da ordem dos Jesuítas em Portugal (oposição de Plutão na casa 7 a Júpiter na casa 1) e consequentemente, contribuiu para a instalação da Inquisição em 23 de Maio 1536 em Portugal (Marte e Saturno em Leão em quadratura a Mercúrio em Touro, o bloqueio à liberdade de expressão).

No final desta dinastia assistimos ao ingresso de Plutão no décimo segundo signo, o fecho do ciclo de Avis!

1552 – Ingresso de Plutão em Peixes.

1554 – Nascimento de D. Sebastião. 

Ainda com Plutão em Peixes é concluído e publicado os Lusíadas, a grande obra da epopeia lusa numa fase já decadente do Império português.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *