Mauricio Bernis – Energias Evolutivas

Urano, Netuno e Plutão em Mapas Natais e Previsões

Considerações Preliminares

A Astrologia, segundo nos revela a história, já viveu momentos de maior reconhecimento social e, por assim dizer, “acadêmico”, uma vez que os sábios de outrora se dedicavam ao seu estudo e prática.

Contudo, ao longo do tempo foi perdendo seu lugar no contexto científico e, consequentemente decaiu para o plano das “mancias” ou “arte divinatórias”, levando-nos, na qualidade de Astrólogos, a ocupar um lugar difícil na sociedade, notadamente no que tange à aceitação profissional.

Em outras palavras, ser Astrólogo nos dias de hoje, é motivo de chacota por boa parte da sociedade, seja no Brasil ou em outros países, inclusive os considerados “desenvolvidos”.

O que é interessante ressaltar é que , quando a Astrologia ocupava um lugar de destaque na sociedade, inclusive constituindo-se como ameaça ao poder, principalmente o religioso, desconhecia-se a existência dos planetas transaturninos e, a despeito disto, os Astrólogos conseguiam uma precisão de interpretação e previsão muito superiores ao que se observa na prática atual. E mais, eles não dispunham de computadores!

Este fato incontestável leva-nos a um grande questionamento: como poderia se desprezar a força de Urano, Netuno e Plutão e, mesmo assim se obter um índice de acertos bastante elevado e preciso?!

A resposta mais razoável que pode ser auferida é que os “sete planetas” são efetivamente os governantes da vida individual e social dos seres humanos, representando toda sua natureza e inter-relação com o meio ambiente, restando aos outros três planetas, a missão de elevar o ser humano acima de sua condição mundana, objetiva e social.

Em outras palavras, à medida que se ampliam os horizontes da humanidade e do indivíduo em si, ampliam-se como conseqüência seus parâmetros de percepção, levando-os a “perceber” em maior escala as influências dos transaturninos. Mais precisamente, isto quer dizer que, em escala individual, a força destes planetas cresce na medida em que cresce a complexidade vivencial e perceptual dos seres humanos.   

É preciso ressaltar, ainda, que esta influência ocorre somente em nível individual, pois no âmbito da coletividade ou das nações e do mundo como um todo, nota-se que não ocorrem mudanças, bastando, para tal, observa-se a história da humanidade e relacioná-la aos movimentos dos transaturninos. Nesta área de estudos, é imprescindível a leitura das obras de André Barbault, principalmente seu “El Pronostico Experimental en Astrologia” ·.

Neste nosso trabalho, será mostrado teórica e praticamente o conceito básico de que a influência dos transaturninos está diretamente ligada ao nível de percepção que possui o indivíduo, além de esclarecer a natureza – positiva ou negativa correta destes planetas, uma vez que, por razões certamente psicológicas observam-se certa “simpatia” por planetas tremendamente “perigosos” em sua influência, ao passo que se abominam outros com tendências muito mais positivas.

Na verdade, será visto que, para se “receber” uma influência positiva dos transaturninos é preciso certo estágio de evolução e integração no contexto cósmico, ou seja, um nível de consciência expandido. Os esoteristas chamam a isto “iluminação” ou “consciência cósmica”. Caso o indivíduo esteja mais arraigado a uma vivência material, desconectada da conjuntura cósmico-evolutiva, os três planetas se constituirão em agentes desagregados e destruidores, no âmbito pessoal, objetivando levá-lo a um estado mais amplo de vivência.

Alan Leo, em seu Astrologia Esotérica (1) afirma que “a influência real de Urano… só se manifesta no plano físico em indivíduos altamente evoluídos, que são capazes de vencer e controlar a matéria de modo a usar seus corpos e veículos auto conscientemente, não permitindo ser usados por eles…”

E mais, o “indivíduo medíocre não troca nenhum destes princípios: vibra constantemente por baixo do anel de Saturno, por assim dizer”.

Estas afirmativas podem ser aplicadas também para Netuno e Plutão, conforme será visto!

Enfim, o objetivo principal desta palestra é apresentar uma visão mais ampla que, para alguns parecerá fatalista, mas, com certeza, não a é.

Os Planetas e os Níveis de Percepção

Para um correto entendimento das funções astrológicas é preciso uma visão clara e, ao mesmo tempo, abrangente dos significados implícitos nos signos, casa e planetas. Mais precisamente, ao se entender a “esfera” de influência dos signos, casas e planetas, dá-se o primeiro e mais importante passo para um bom desempenho na interpretação Astrológica. A função dos signos é diferente da função das casas e dos planetas, da mesma forma a das casas é diferente da dos planetas.

Sendo assim, pode-se definir estas funções da seguinte forma:

“Os signos representam o plano cósmico, as casas o plano material e os planetas os agentes de comunicação entre estes planos”.

Utilizando-se o arquétipo da “Santíssima Trindade”, os signos representam o Pai, as casas o Filho e os planetas o Espírito Santo: a vontade do Pai se manifesta ao filho através do Espírito Santo.

Nesta concepção, os signos carregam em si as “qualidades” que serão conferidas aos planetas que, por sua vez, atuarão nas casas. Os planetas são as “energias” de ação e transformação e as casas os campos de manifestação no plano material ou perceptual. Todas as ações são promovidas pelos planetas, segundo uma orientação dos signos envolvidos e, manifestando-se na esfera proposta pelas casas terrestres também envolvidas.

Em sentido esotérico, os signos representam a Alma Universal ou Vontade da Inteligência Superior, as casas representam o Corpo ou a matéria e os planetas a Energia de Espírito pela qual surgem as manifestações.

Através destes conceitos, torna-se mais fácil a compreensão das regências planetárias dos signos, pois cada signo tem o seu regente energético, pelo qual manifesta sua expressão no plano perceptual. Pode-se ainda crer que cada signo terá dois regentes, um mais voltado ao aspecto da individualidade e outro mais voltado ao aspecto da coletividade, excetuando-se Câncer e Leão, por representarem os princípios geradores, Pai e Mãe e Negativo, Espírito e Alma, que ao se unirem, pela Lei Esotérica do Triângulo geram o terceiro ponto, ou seja, a Criação ou Manifestação.

O esquema abaixo apresenta as regências planetárias chamadas “tradicionais” que, na verdade, mereceriam ser chamadas de “eternas”, pois não faz sentido algum os termos “co-regente”, “segundo regente, “regente tradicional”, etc.”. O planeta regente de um signo é seu regente e sempre o será, com o mesmo nível de importância e força. É um verdadeiro absurdo se afirmar que, com o advento da descoberta de Plutão, Marte perdeu sua força com relação à Escorpião. Não faz o menor sentido, constituindo-se em uma ignorância astrológica, por assim dizer.

Todo Astrólogo que trabalha com Trânsitos e Progressões sabe que quando por efeito de algum trânsito ou ponto progredido sobre Marte, a casa em que a cúspide está em Escorpião sofre seus efeitos, em grau análogo ao da casa que tem cúspide em Áries, portanto não se trata de uma questão teórica, mas sim de experiência e pesquisa.

Com o advento dos planetas transaturninos, obteve-se outros regentes para alguns signos, ou seja, Aquário passou também a ser regido por Urano, Peixes, por Netuno e Escorpião por Plutão. Contudo, estes planetas serão simbolicamente colocados no esquema da página anterior, do lado de fora do círculo, numa mostra simbólica de sua abrangência de influência, significando que eles estão relacionados diretamente com o Coletivo, ao passo que os outros estão mais para o individual.

Representam, em síntese, a missão ou relação do indivíduo junto à coletividade, sem ressalvas. Além disto, os transaturninos representam a possibilidade de ir além de si mesmo, da matéria e propõe a perspectiva de ampliação da consciência, em termos individuais e coletivos.

Conforme alguns autores, estes três planetas são as “oitavas superiores” (em termos vibracionais) de outros três planetas. E isto, além de parecer muito correto, é fácil de entender, pois Mercúrio se exalta em Aquário e Urano, regente de Aquário, é sua oitava superior. Assim acontece também com Vênus e Netuno, relativamente a Peixes. Já Marte e Plutão seguem o mesmo princípio, porém, ambos são regentes de Escorpião, ao invés de ocorrer a relação de exaltação.

Outra consideração importante para um correto entendimento das funções planetárias refere-se aos símbolos arquetípicos utilizados para representar os planetas nos Mapas Astrológicos, conforme abaixo:

Sol =   espírito, semente, princípio ativo.

Lua   =    alma, útero, cadinho.

Matéria   =     corpo, matéria, manifestação.

Manter-se esta simbologia facilita a interpretação, pois estes símbolos básicos servem de “chaves” de acesso às informações contidas no inconsciente do Astrólogo, uma vez que a combinação destes símbolos já representa por si o significado elementar do planeta.

Desta forma, a utilização desta simbologia auxilia a compreensão das funções planetárias. Por exemplo, o planeta Mercúrio tem o seguinte símbolo para sua representação:

Mercúrio

Ou seja, a Alma Universal não permeia as relações do Espirito com a Matéria, indicando claramente que suas vibrações são de caráter racional, intelectual e totalmente voltadas para as situações objetivas. Já Plutão, que se utiliza dos mesmos três símbolos, conforme abaixo, está em ordem perfeito:

Plutão

A Alma permeia as relações do espirito com a Matéria e, sob outra ótica, a semente está dentro do útero, ou o principio ativo está inserido no cadinho. Tem a forma da Taça! Cabe lembrar que em praticamente todos os rituais esotéricos a Taça está relacionada com a consagração ou purificação, levando à evolução sublime. Neste contexto, a jornada se inicia através do estudo, da razão (Mercúrio), para se atingir a transmutação (Plutão).

Em termos perceptuais, pode-se definir o ser humano possuindo duas grandes fases: “consciente e inconsciente”, sendo cada qual dividida em duas subfases, consciente objetiva e subjetiva e, inconsciente pessoal e coletiva, conforme o esquema a seguir.

Observa-se que Mercúrio, Sol e Marte estão diretamente ligados à fase “consciente – objetiva”, Vênus e Lua à “consciente – subjetiva”, Saturno e Júpiter à “inconsciente – pessoal” e Urano, Netuno e Plutão à “inconsciente – coletiva”. Neste esquema cabe a Lua e Saturno a inter-relação entre consciente e inconsciente.

Conforme a força de cada planeta em um determinado Mapa Astrológico pode-se saber qual das fases apresentadas no esquema possui maior importância na vida deste indivíduo. Além disto, os aspectos planetários irão definir as inter-relações de uma fase e subfase com as outras. Por exemplo, se um Mapa Astrológico apresenta Mercúrio em Quadratura com Saturno, vê-se uma relação negativa entre a subfase consciente – objetiva com a subfase inconsciente – pessoal. Na prática este indivíduo poderá apresentar problemas de comunicação e entendimento, devido a restrições de natureza psicológica oriunda de figuras de autoridade de seu convívio na primeira infância. Já se o aspecto for com Urano, os problemas têm origem remota, ou cármica ou geracional, indicando primeiro uma inadequação de época de vida (pensa diferente das pessoas em geral) e segundo um problema de natureza coletiva (não aceitação sociocultural).

Devido à palestra enfocar os transaturninos, é cabível uma melhor explicação acerca do significado da fase inconsciente-coletiva. Pode-se fazer um paralelo com o inconsciente coletivo da Psicologia Jungiana, porém não exatamente. A fase inconsciente-coletiva se manifesta na vida do indivíduo como sua relação com o plano de evolução da humanidade, é o ponto de interseção entre sua individualidade e sua “cosmicidade”. São os estímulos e as respostas relativas as experiência coletivas pelas quais tem que passar a humanidade para atender ao processo natural de crescimento e expansão, tanto na consciência quanto da percepção.

Desta forma nota-se que os planetas transaturninos cumprem um papel que vai muito além do chamado “livre arbítrio”, uma vez que quanto maior a coletividade de uma determinada ação, menor o poder de controle de decisão individual.

Pode-se deduzir que, se um indivíduo possui em seu mapa astrológico os planetas transaturninos evidenciados, irá cumprir um papel maior e diferenciado junto à coletividade. Este posicionamento evidenciado é muito comum em políticos, artistas, escritores, pesquisadores, professores, etc. quando positivamente e criminosos, mafiosos, grandes estelionatários, etc. quando negativamente.

Contudo, todos os indivíduos possuem em seu mapa astrológico a presença destes planetas, mostrando que todos, sem exceção, participam do processo evolutivo da humanidade, em um conjunto coeso e inter-relacional. Os transaturninos, nestes casos, irão mostrar a parcela de contribuição de cada um, bem como a dimensão de sua coletividade, que poderá ser em maior ou em menor grau. Mostram ainda mais, o quanto o indivíduo assimila e aprende deste processo evolutivo, queira ele ou não, goste ele ou não.       

Transaturninos – Energias Evolutivas

“Assimilando, então, o conceito fundamental de que os planetas transaturninos refletem as manifestações humanas da “fase inconsciente-coletiva”, pode-se definir a natureza destas “energias” postas em movimento pelas suas influências”.

Apesar da conceituação metafísica evolvida na ideia de que a humanidade evolui, sob outra ótica menos mística, observa-se que pelo menos a humanidade se transforma, através de uma melhor organização, desenvolvendo melhores conceitos de justiça e integração social, valorizando cada vez mais o conceito de liberdade e a crença religiosa, entre outros aspectos. A todo este conjunto de condições pode-se, sem erro, chamar de evolução. Além desta evolução de natureza social há a evolução científica e tecnológica, que leva o homem a um maior saber sobre o mundo e si mesmo, dispensando maiores comentários à respeito.

“Tudo isso (essa evolução) está diretamente ligado às energias dos planetas transaturninos, daí se origina o conceito de energias evolutivas” que, de maneira básica têm origem nos princípios básicos conhecidos de manifestação destes planetas, ou seja, Urano estimula o desenvolvimento da Liberdade e Democracia, voltando também o homem para o futuro; Netuno sensibiliza os indivíduos a uma percepção mais abrangente das relações humanas, conduzindo-o aos preceitos de Justiça Social e Espiritualização, voltando o homem à Deus e; por fim, Plutão leva-o pesquisa e à transformação, reciclando constantemente o homem em suas relações de poder e domínio, impondo a necessidade de morte e renascimento em todos os processos, numa mostra evidente de que “no mundo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (2)

Cabe, desta forma, aos astrólogos (pelo menos) o entendimento de que quando “grandes personalidades” da história, sejam na área política, ou científica, ou qualquer outra, manifestam-se (ou se manifestam), estão respondendo aos impulsos gerados pelos transaturninos e promovendo a evolução da humanidade numa escala maior. Isto ocorre de forma pacífica ou não, pois em alguns casos o processo ocorre de forma dolorosa, seja ao agente (o homem público), seja à coletividade que ele atinge.

Como exemplo desta “influência evolutiva” pode-se citar Einstein que, Lincoln Barnett, numa referência a imagem de Einstein junto aos universitários, por volta dos anos 50, escreve. Por isso não é de se estranhar que muitos universitários ainda imaginem Einstein como uma espécie de surrealista matemático, e não como o descobridor de certas leis cósmicas de imensa importância na silenciosa luta do homem pela compreensão da realidade física. Eles ignoram que a Relatividade, acima de sua importância científica, representa um sistema filosófico fundamental, que aumenta e ilumina as reflexões dos grandes epistemologistas – Locke, Berkeley e Hume. Em consequência, bem pouca ideia tem o vasto universo, tão misteriosamente ordenado, em que vivem·.

É este tipo de dimensão que os transaturninos podem levar um indivíduo, que no caso de Einstein, é inquestionável. Nascido com Sol conjunto ao MC em Peixes, em sêxtil com Plutão na XI, ASC em sêxtil com Netuno na XI e ainda Urano III oposto à Júpiter na IX (3). Fica claro sua meta em transformar o futuro, rompendo com estruturas anteriores, questionando constantemente o conhecimento já existente e, por fim levando a humanidade a uma compreensão mais ampla acerca da natureza e do próprio homem.

Já, nós simples mortais, talvez não criemos qualquer teoria revolucionária, mas podemos tentar (ao menos) uma sintonia com os transaturninos e, juntos ao nosso meio ambiente, produzirmos condições mais fraternais e mais livres para as manifestações pessoais, deixando de lado nosso ego egoísta. Se plantarmos uma semente desta natureza nos nossos filhos, com certeza já estaremos contribuindo (e muito) para o processo evolutivo da humanidade. Mas, ao contrário, se “vibrarmos” os transaturninos de forma negativa, estaremos constantemente fugindo e nos rebelando com a vida, conduzindo-nos, irremediavelmente, a um caminho de sofrimento e isolamento social.

Como não podemos atuar sobre estas energias, nosso melhor papel será o de ampliarmos nosso espectro de percepção para recebermos as chamas “oitavas superiores” destas “ondas planetárias”. Caso não o façamos, o fracasso será nosso futuro.

Enfim, a maior mensagem relativamente à infalibilidade deste processo evolutivo pode ser vista na passagem bíblica referente a Jesus no Monte das Oliveiras, as vésperas de seu sofrimento. Ele pede ao Pai: “Afasta de mim este cálice”! Não afastou… Não era possível, pois havia que nascer o cristianismo, era inevitável e irremediável.

Com isso, será muita pretensão a nossa acreditarmos que poderemos afastar nosso cálice, ou seja, nossa participação no processo de evolução da humanidade.

Plutão (Z) é o cálice, ou a taça… Morte e ressurreição!

 

(1) LEO, Alan. Astrologia Esotérica. Livraria Roca, São Paulo, 1993, p.. 22 e 23

(2) Princípio de Lavoisier, comumente expresso nestes termos.

(3) Fonte do mapa Astrológico de Albert Einstein: Arquivo do Software Pegasus 5 for Windows

 

Maurício Bernis é astrólogo ISARCAP e Consultor Empresarial.​

Engenheiro, extensão em administração, psicologia e parapsicologia. Associa hermetismo a esses conhecimentos, direcionando seu trabalho nas áreas de Vocação, Empresas e Finanças. Presidente da AstroBrasil Consultoria. Leciona cursos de Especialização em Astrologia. Autor de livros e palestrante internacional. Mantém o canal Mauricio Bernis Astrologia no YouTube. Fundador da C.N.A. (Central Nacional de Astrologia)

website: www.bernis.com.br

www.youtube.com/mauriciobernis

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